Num contexto marcado pela crise da Covid-19, este artigo aborda o olhar de cidadãos de sete democracias (Alemanha, Áustria, França, Itália, Nova Zelândia, Reino Unido e Suécia) sobre a influência e a preocupação que suscitam as grandes potências China, Estados Unidos e Rússia.

Este artigo se baseia nos dados coletados entre 15 e 18 de abril de 2020. As entrevistas foram realizadas por questionário autoadministrado online. No total, 9.024 pessoas foram entrevistadas. A avaliação dos cidadãos sobre a influência e postura de três grandes potências (China, Estados Unidos e Rússia) foi medida a partir das seguintes questões:

– “Na sua opinião, qual destes países (China, Estados Unidos, Rússia) é o mais influente no mundo?” ;

– “Indique o que você pensa sobre a postura de cada um destes países (China, Estados Unidos, Rússia) no cenário global. Diga se este país lhe preocupa, tranquiliza, ou nem uma coisa nem outra.”

A análise proposta faz parte da pesquisa internacional “Citizens’ Attitudes Under COVID-19 Pandemic”, da qual a Fondation pour l’innovation politique é integrante. O estudo é produto de uma série de pesquisas de opinião administradas pelo Instituto IPSOS em intervalos regulares, em diversos países. O consórcio de parceiros é composto da Agência nacional de pesquisa da França (ANR, na sigla em francês), Agência francesa de desenvolvimento (AFD), CERDI (Centro de Estudos e de Pesquisa sobre o Desenvolvimento Internacional, em francês)-CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica, em francês), Banco Mundial, Cevipof (Centro de pesquisas políticas de Sciences Po/CNRS), France Stratégie, IAST (Toulouse School of Economics/université de Toulouse), Hanover Universität, Harvard Business School, université de Montréal, McGill University, Università Bocconi, European University Institute e University of York.

Estes trabalhos visam a fornecer um acompanhamento da opinião pública no contexto da crise sanitária provocada pela Covid-19: os sentimentos, a relação à segurança sanitária, a aceitação ou relutância diante dos dispositivos de proteção implementados e às recomendações de saúde pública. De um lado, eles devem propiciar uma melhor compreensão do modo pelo qual diferentes públicos se adaptam psicologicamente às medidas de distanciamento social e, por outro lado, do nível de consentimento às medidas adotadas.