A ideia democrática mudou profundamente o mundo. Estabelece uma ordem política cuja força reside na submissão do exercício do poder ao consentimento dos governados. Através da democracia, o regime da liberdade, a história humana tornou-se uma história de dignidade e progresso. Desde a gloriosa Atenas antiga, a ideia democrática percorreu lentamente terras e mares. O Bill of Rights inglês de 1689, a Constituição Americana de 1787 ou a Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 marcaram assim o advento da liberdade política no mundo. Desde então, a ideia democrática continuou a se espalhar, começando pela Europa no século XIX, acompanhando a emergência das nações e a emancipação do direito dos povos à autodeterminação. No século XX, triunfou sobre as tiranias modernas, derrubou regimes fascistas, o nazismo e seus aliados, e o comunismo no final de uma guerra fria que terminou com o colapso da União Soviética, derrotada económica, tecnológica e moralmente.

No entanto, à medida que entramos no século XXI, o horizonte foi se escurecendo. Já não se trata apenas de reforçar o processo democrático onde ainda encontra-se frágil, mas de proteger e até mesmo defender as democracias estabelecidas. A globalização – triunfo paradoxal do Ocidente – desestabiliza as democracias ao mesmo tempo que oferece oportunidades sem precedentes de desenvolvimento e afirmação a potências que nem sempre pretendem se engajar no caminho da liberdade. Pela primeira vez desde a sua criação, a democracia perdeu a confiança para inspirar o mundo.

Neste contexto conturbado de mudanças, decidimos associar as nossas duas instituições: por um lado, a Fondation pour l’innovation politique, um think tank francês dedicado à defesa dos valores da liberdade, do progresso e dos ideais da União Europeia; por outro lado, o International Republican Institute, um instituto americano que promove a democracia no mundo. Os resultados dessa pesquisa internacional realizada em quarenta e dois países estão apresentados aqui sob o título Democracias sob tensão. O documento contém dois volumes: o primeiro volume é dedicado a temas e desafios, como a confiança nas instituições, a adesão ao modelo de democracia representativa, o apoio ao aborto ou à pena de morte, o declínio dos valores democráticos entre as novas gerações, etc. O segundo volume é dedicado aos quarenta e dois países da pesquisa, cada um associado a um resumo do estado da opinião nacional. Também fornecemos ao leitor um “índice de cultura democrática” que classifica cada país em relação a todos os outros.

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